Política ao serviço <br>dos trabalhadores e do povo
Jerónimo de Sousa participou na apresentação das listas de candidatos da Coligação PCP-PEV às eleições para a Assembleia da República (AR) pelos círculos eleitorais de Braga e do Algarve. Em ambas as iniciativas, o Secretário-geral do PCP salientou que a CDU está pronta a assumir todas as responsabilidades que o povo português decida atribuir-lhe na construção de uma alternativa patriótica e de esquerda e no governo do País.
Os portugueses precisam de ter na AR quem os defenda
Na quinta-feira, em Guimarães, Jerónimo de Sousa afirmou que «os deputados da CDU realizaram uma intervenção sem paralelo», tendo sido «os que mais produção apresentaram nos quatro anos da Legislatura».
«No seu conjunto apresentaram 458 projectos de lei, cerca de 500 projectos de resolução e 105 apreciações parlamentares, 30 audições temáticas e mais de cinco mil perguntas e requerimentos, num trabalho ligado às realidades concretas e aos problemas do País, feito na AR e fora dela, na resposta às solicitações das populações e dos trabalhadores, dando voz e participando nas suas lutas, promovendo a denúncia e fiscalização da política do Governo, combatendo as suas ofensivas políticas e legislativas e apresentando propostas alternativas para resolver os problemas do País», sublinhou.
No entanto, acrescentou, «não foi apenas o número de projectos de lei, de resoluções, de perguntas ao Governo ou de outras iniciativas parlamentares que mostram o profícuo trabalho realizado», mas «o seu conteúdo no domínio dos direitos dos trabalhadores, com propostas para pôr fim aos cortes nos salários e reformas e para o aumento do salário mínimo nacional e de combate à precariedade, com um programa nacional específico; no domínio da Segurança Social, em defesa da sua sustentabilidade e do reforço das prestações sociais; da fiscalidade, visando desonerar trabalhadores e famílias, assim como micro e pequenos empresários, incluindo a reposição do IVA da restauração; da economia, designadamente em defesa da produção leiteira nacional».
Segundo Jerónimo de Sousa, a iniciativa e intervenção dos deputados do PCP e do PEV visaram ainda «a renegociação da dívida, a revogação das PPP, o controlo público da banca», e também a «defesa dos serviços públicos e das funções sociais do Estado, nomeadamente do Serviço Nacional de Saúde e da redução das taxas moderadoras, da Escola Pública», bem como o «desenvolvimento da ciência e da cultura».
Os deputados eleitos pela CDU intervieram em todas as outras áreas da nossa vida colectiva, nomeadamente contra os ataques ao Poder Local e a extinção de freguesias, no ambiente e na conservação da natureza, e igualmente nos domínios da Justiça e contra as alterações do Mapa Judiciário.
Continuar a crescer
Agora que se vai realizar novas eleições, num momento em que permanecem as mais sérias ameaças sobre o povo português pela mão dos partidos da troika nacional [PS, PSD e CDS], os portugueses precisam de ter na AR quem os defenda e quem seja portador de um projecto alternativo de esperança para Portugal.
Os candidatos da Coligação PCP-PEV são, de facto, essa garantia. «O ambiente de simpatia e reconhecimento pelo papel das componentes da CDU, os apoios que estamos já a receber de muitos e muitos democratas e patriotas sem filiação partidária levam-nos a estar convictos de que é possível continuar a crescer e a crescer bem, que o reforço da CDU em votos e deputados vai contar muito na definição da evolução futura do País», disse Jerónimo de Sousa.
Ruptura e mudança
Em Silves (ver página 7), na apresentação dos candidatos pelo distrito de Faro, que aconteceu no sábado, o Secretário-geral do PCP manifestou confiança de que nas próximas eleições «a política de direita será derrotada». No entanto, referiu, «o perigo principal é o de resultarem condições políticas e institucionais para a política de direita ser prosseguida por outras mãos, nomeadamente do PS».
«Quantos mais votos e mais deputados tiver a CDU, mais peso terá uma política patriótica e de esquerda e mais força ganha a necessidade de uma mudança no governo do País», acentuou, acrescentando: «As verdadeiras opções no próximo dia 4 de Outubro não são escolher entre Passos e Costa, mas escolher entre a continuação da mesma política ou optar pela ruptura e pela mudança, votando na CDU».
Campanha de chantagem
No Algarve, Jerónimo de Sousa alertou para a «fantasiosa ideia da necessidade de uma maioria absoluta ou dos partidos do Governo ou do PS», que, nas últimas duas semanas, «assumiu contornos de inadmissível chantagem sobre o eleitorado e que tem a abusiva cobertura e promoção do Presidente da República», visando «apresentar como única alternativa os partidos que têm garantido o prosseguimento da política de direita».
«Não se trata já e tão só da inocente cantilena da estabilidade para adormecer e iludir eleitores desprevenidos que já se esqueceram do que significaram sempre as maiorias absolutas dos governos do PSD e do PS, mas para enfatizar a perigosa ideia da ingovernabilidade do País sem uma maioria absoluta», criticou.
Diferenças concretas
«Em termos aritméticos», esclareceu o Secretário-geral do PCP, «cada deputado a mais na CDU pesa o mesmo que qualquer outro deputado do PS», mas com uma enorme diferença: «é que cada deputado do PS servirá para prosseguir a política de direita e juntar-se, se necessário, aos deputados do PSD e CDS; cada deputado da CDU é uma garantia de que contribuirá sempre para uma política de esquerda e que nunca contribuirá para prosseguir a política de direita que os partidos da troika nacional têm prosseguido».
«Cada voto a mais na CDU, cada deputado a mais que a CDU obtenha, é um voto a menos e um deputado a menos no PSD-CDS e no PS. Ou seja, um voto e um deputado a mais na CDU é um voto e um deputado com que o povo conta para defender os seus direitos e tornar mais próxima uma política alternativa, um voto e um deputado a menos no prato da política de direita», reforçou Jerónimo de Sousa.